Pragas e Doenças

A hidroponia, ao eliminar o fator solo, elimina também muitas das portas de entrada de doenças. No entanto as plantas, como natureza viva que são, continuam vulneráveis a algumas doenças e infestações de pragas. Devemos estar sempre atentos pois a proliferação de uma doença poderá tornar-se fatal principalmente pelo facto de haver uma grande densidade de plantas, da temperatura e humidade terem níveis adequados (principalmente dentro de uma estufa) e da disseminação poder ser muito rápida pela solução nutritiva.

A melhor ferramenta contra as doenças e pragas é a prevenção, que podem ser as simples medidas que se seguem:

  • Evitar utilização de sementes de origem duvidosa e mudas criadas em viveiro ou canteiro com terra, ou no caso de utilizar lavar bem para retirar a terra antes de mudar para o sistema. 
  • Utilizar água de boa qualidade;
  • Tratar a água de rega por filtração, radiação UV ou ozonização; 
  • Utilizar substratos inertes;
  • Utilizar ferramentas limpas;
  • Manter os depósitos protegidos de contaminações;
  • Proceder a uma rápida eliminação de plantas doentes e de material vegetal resultante de podas ou folhas caídas; 
  • Otimizar o crescimento das plantas, uma planta saudável é menos susceptível ao ataque de pragas e doenças: 
  • Evitar danos nas plantas; 
  • Encontrar um equilíbrio entre uma boa densidade de plantas e um suficiente arejamento entre plantas; 

Muitas vezes os sintomas visíveis podem confundir e corresponder a um distúrbio nutritivo e não a um agente exterior. Veja aqui as carências e excessos nutritivos mais comuns.

PRAGAS

No que toca a pragas, nós, no Ecocenter temos um princípio, não usamos insecticidas. São prejudiciais para o meio ambiente e para a vida em geral, matam os insectos benéficos protectores do jardim e estão directamente relacionados com o declínio das abelhas na Europa, além de que se tornam inúteis passado algum tempo porque os insectos desenvolvem defesas muito rapidamente.

O melhor controle de insectos é feito através de predadores naturais, pois a sua eficiência está mais do que provada, só têm o senão de serem caros. Também são eficazes soluções de extractos de óleo de árvores como o Neem ou soluções caseiras feitas a partir de matéria orgânica dos mais variados tipos como cebolas, alhos e urtigas, pimenta cayenne. etc. A água fria pode ser um poderoso aliado pois repele e quebra o ciclo de reprodução de vários insectos.

É importante perceber também que uma boa alimentação é o primeiro passo para ter plantas resistentes a insectos, por exemplo, uma alimentação rica em cálcio faz com que as plantas tenham paredes celulares mais ricas e difíceis de penetrar.

As possíveis infestações são de variados tipos como insetos, nematóides, fungos, ácaros ou vírus.

ARANHA VERMELHA

Acima do solo é a que causa mais estragos, são pequenos pontos vermelhos a olho nu e difíceis de encontrar, costumam estar na parte de baixo das folhas e quando a infestação está avançada envolvem as flores/folhas/frutos em teias. Os primeiros sintomas visíveis são pequenos pontos brancos nas folhas.
A aranha vermelha reproduz-se facilmente se a temperatura for alta e a humidade baixa e para contrariá-la sem usar insecticidas podemos simplesmente borrifar a planta com água fria, isto vai fazer com que os ciclos de reprodução se quebrem tornando-se mais difícil a sua propagação.

AFÍDIOS / PULGÕES

Os afídios reproduzem-se a uma grande velocidade, podem ser um problema se não forem identificados a tempo e existem numa grande variedade de cores (verde a castanho). Com uma boa inspeção periódica e remoção manual não devem ser um problema, podendo-se simplesmente passar com uma esponja em ambos os lados da folha ou até ser esmagados com os dedos. Também pode ser utilizado uma mistura caseira de alho, cebola e pimenta ou ainda um sabão insecticida ou óleo de neem.

Afídios Pulgões

TRIPS

Parecem-se com pequenos traços de 1mm e podem ser brancos, cinzentos ou castanhos. São fáceis de identificar pois possuem asas mas não voam, saltam de folha para folha. Um bom truque para os identificar é abanar a planta e ver como é que eles reagem, se não voarem são trips e raramente são um problema.

MOSCA BRANCA

Não é muito comum mas fazem os seus estragos, tal como os afídios a mosca branca excreta substâncias nas folhas que deixam um rasto que atrai fungos e formigas. Uma mistura caseira de alho, cebola e pimenta pode ajudar, sabão insecticida e óleo de neem também funcionam.

Mosca Branca

LAGARTAS

As lagartas gostam de couves e tomateiros e são um grande problema se não forem controladas, a boa notícia é que elas também gostam de cerveja, uns copos junto às plantas vão ajudar a capturar algumas e a remoção manual funciona muito bem em hidroponia. Também são de evitar madeiras na zona de cultivo pois são um dos habitats favoritos delas.

Lagarta

FUNGOS E VÍRUS

Existem muitos fungos capazes de invadir um local de cultivo se as condições forem favoráveis (humidade alta, pouca circulação de ar/ar estagnado e calor).
Os fungos reproduzem-se por esporos, estão no ar e em todo o lado e raramente se desenvolvem se as plantas estiverem saudáveis.

A maior parte dos fungos ataca as folhas, como o oídio, e as flores e frutos como o botritris. Outros atacam o caule ao nível do substrato causando a morte da planta (damping-off). Seja em que caso for, mais uma vez a prevenção é a chave e as mais eficazes usadas hoje em dia para reduzir a infecção e prevenir que se propague são a calda bordalesa (uma mistura de sulfato de cobre e hidróxido de cálcio) e sílica.

Relativamente aos vírus, não existem curas mas também são muito raros e são normalmente trazidos por outros insectos ou pela introdução de uma planta infectada. Se tal acontecer devem-se queimar as plantas, substituir todo o substrato, e esterilizar todo o local de cultivo.

Relativamente às raízes, estas também podem ser atacadas, ainda que em hidroponia muito raramente. Em termos de pragas podem existir afídios/pulgões das raízes ou nematóides e quanto a fungos os dois mais comuns são o Pythium e Fusarium. Os esporos destes fungos estão sempre presentes e não há nada que se possa fazer para os evitar, então estes fungos só se desenvolvem se a planta estiver fraca ou quando existe uma falta de oxigenação na solução. O processo é simples, quando falta oxigénio às raízes cria-se um stress e elas libertam um gás (etileno), que age como um sinal atraindo patogénicos.
O Pythium pode ser identificado com um pequeno ponto negro na ponta das raízes, enquanto que o Fusarium vai atacar em qualquer local das raízes e parece-se com uma mancha castanha e viscosa. Se nada for feito a planta morre rapidamente.

É muito difícil curar um ataque de fungos nas raízes sem ter danos nas plantas, as plantas perdem vigor e a colheita é afectada por isso é importante perceber e refletir sobre o que aconteceu e achar a causa, sendo muitas vezes a falta de oxigénio na solução nutritiva, uma alimentação desequilibrada ou um clima instável.

Entre alguns dos métodos para retardar a acção dos fungos estão a utilização de sílica, o corte das raízes mortas, a substituição da solução nutritiva por água com o pH balanceado, podendo-se usar um estimulador de raízes e borrifar a planta com uma solução nutritiva média para evitar deficiências nutritivas, deve-se continuar este processo até as novas raízes começarem a crescer e adequando depois a solução nutritiva aos poucos. Ácidos húmicos ou fúlvicos ajudam na recuperação das plantas ao nível das raízes e nas borrifadelas foliares pode ser usado húmus de minhoca ou extracto de algas.
Usar água oxigenada é um erro comum e não funciona, pois pode baixar a população de patogéneos, mas também baixa a população de organismos benéficos, não diferencia os “bons“ dos “maus” e acaba por enfraquecer mais a planta.